sábado, 10 de abril de 2010

Na Biblioteca Nacional, um manuscrito de Stravinsky:


Mais detalhes aqui: bnportugal

E aqui:



uma música adequada à época: The rite of Spring


DIAS DA MÚSICA EM BELÉM 2010



Já compraram os bilhetes? DIAS DA MÚSICA 2010




Fontes habitualmente bem informadas (o verdadeiro inside trading), garantem-nos que este é DE LONGE o melhor disco de sempre. A partir de segunda feira, à venda.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Primavera




Encontrada aqui: Desenho 


Mais uma das minhas fotografias preferidas



Andre Kertész, The Tender Touch, Bilinski

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Primavera

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Jantar



Vês tu, Zé Fernandes? Uma maçada!

"E assim o saudável, intelectual, riquíssimo, bem acolhido Jacinto tombara no pessimismo.

E um pessimismo irritado! Porque (segundo afirmava) ele nascera para ser tão naturalmente optimista como um pardal ou um gato. E, até aos doze anos, enquanto fora um bicho superiormente amimado, com a sua pele sempre bem coberta, o seu prato sempre bem cheio, nunca sentira fadiga, ou melancolia, ou contrariedade, ou pena - e as lágrimas eram para ele tão incompreensíveis que lhe pareciam viciosas. Só quando crescera, e da animalidade penetrara na humanidade, despontara nele esse fermento de tristeza, muito tempo indesenvolvido no tumulto das primeiras curiosidades, e que depois alastrara, o invadira todo, se lhe tornara consubstancial e como o sangue das suas veias. Sofrer portanto era inseparável de Viver. Sofrimentos diferentes nos destinos diferentes da Vida. Na turba dos humanos é a angustiada luta pelo pão, pelo tecto, pelo lume; numa casta, agitada por necessidades mais altas, é a amargura das desilusões, o mal da imaginação insatisfeita, o orgulho chocando contra o obstáculo; nele, que tinha os bens todos e desejos nenhuns, era o tédio. Miséria do Corpo, tormento da Vontade, fastio da Inteligência - eis a Vida! E agora aos trinta e três anos a sua ocupação era bocejar, correr com os dedos desalentados a face pendida para nela palpar e apetecer a caveira.

Foi então que o meu Príncipe começou a ler apaixonadamente, desde o «Ecclesiastes» até Schopenhauer, todos os líricos e todos os teóricos do Pessimismo. Nestas leituras encontrava a reconfortante comprovação de que o seu mal não era mesquinhamente «jacíntico» - mas grandiosamente resultante de uma lei universal. Já há quatro mil anos, na remota Jerusalém, a vida, mesmo nas suas delícias mais triunfais, se resumia em ilusão. Já o rei incomparável, de sapiência divina, sumo vencedor, sumo edificador, se enfastiava, bocejava, entre os despojos das suas conquistas, e os mármores novos dos seus templos, e as suas três mil concubinas, e as rainhas que subiam do fundo da Etiópia para que ele as fecundasse e no seu ventre depusesse um deus! Não há nada novo sob o Sol, e a eterna repetição das coisas é a eterna repetição dos males. Quanto mais se sabe mais se pena. E o justo como o perverso, nascidos do pó, em pó se tornam. Tudo tende ao pó efémero, em Jerusalém e em Paris! E ele, obscuro no 202, padecia por ser homem e por viver - como no seu trono de ouro, entre os seus quatro leões de ouro, o filho magnífico de David.
Não se separava então do Ecclesiastes. E circulava por Paris trazendo dentro do coupé Salomão, como irmão de dor, com quem repetia o grito desolado que é a suma da verdade humana - vanitas vanitatum! Tudo é vaidade! Outras vezes, logo de manhã o encontrava estendido no sofá, num roupão de seda, absorvendo Schopenhauer - enquanto o pedicuro, ajoelhado sobre o tapete, lhe polia com respeito e perícia as unhas dos pés. Ao lado pousava a chávena de Saxe, cheia desse café de Moka enviado por emires do Deserto, que não o contentava nunca, nem pela força, nem pelo aroma. A espaços pousava o livro no peito, resvalava um olhar compassivo para o pedicuro, como a procurar que dor o torturaria - pois que a todo o viver corresponde um sofrer. Decerto o remexer assim, perpetuamente, em pés alheios... E quando o pedicuro se erguia, Jacinto abria para ele um sorriso de confraternidade - com um «adeus, meu amigo» que era «um adeus, meu irmão!»

Esse foi o período esplêndido e soberbamente divertido do seu tédio. Jacinto encontrara enfim na vida uma ocupação grata - maldizer a vida! E para que a pudesse maldizer em todas as suas formas, as mais ricas, as mais intelectuais, as mais puras, sobrecarregou a sua vida própria de novo luxo, de interesses novos de espírito, e até de fervores humanitários, e até de curiosidades supernaturais.

O 202, nesse Inverno, refulgiu de magnificência. Foi então que ele iniciou em Paris, repetindo Heliogábalo, os Festins de Cor contados na «História Augusta»: e ofereceu às suas amigas esse sublime jantar cor -de-rosa, em que tudo era róseo, as paredes, os móveis, as luzes, as louças, os cristais, os gelados, os champanhes, e até (por uma invenção da Alta Cozinha) os peixes, e as carnes, e os legumes, que os escudeiros serviam, empoados de pó rosado, com librés da cor da rosa, enquanto do tecto, de um velário de seda rosada, caíam pétalas frescas de rosas... A cidade, deslumbrada, clamou: «Bravo, Jacinto!» E o meu Príncipe, ao rematar a festa fulgurante, plantou diante de mim as mãos nas ilhargas e gritou triunfalmente: «Hem? Que maçada!...»

Depois foi o humanitarismo: e fundou um hospício no campo, entre jardins, para velhinhos desamparados, outro para crianças débeis à beira do Mediterrâneo. Depois com o major Dorchas, e Mayolle, e o hindu de Mayolle penetrou no teosofismo: e montou tremendas experiências para verificar a misteriosa exteriorização da motilidade. Depois, desesperadamente, ligou o 202 com os fios telegráficos do «Times», para que no seu gabinete, como num coração, palpitasse toda a vida social da Europa.

E a cada um destes esforços da elegância, do humanitarismo, da sociabilidade, e da inteligência indagadora, voltava para mim, de braços alegres, com um grito vitorioso: «Vês tu, Zé Fernandes? Uma maçada!» Arrebatava então o seu «Ecclesiastes», o seu Schopenhauer, e, estendido no sofá, saboreava voluptuosamente a concordância da doutrina e da experiência. Possuía uma Fé - o Pessimismo: era um apóstolo rico e esforçado: e tudo tentava, com sumptuosidade, para provar a verdade da sua Fé! Muito gozou nesse ano o meu desgraçado Príncipe!"

Eça de Queirós, A cidade e as serras

Aprendendo



Sir James Murray

Aqui: oxforddnb

terça-feira, 6 de abril de 2010





Abril, mês da poesia



Desfile de poetas na ponte de Brooklin


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Segunda Feira

Coisas sérias. Lobbying. Politica. Transparência. Responsabilidade.


Tudo aqui:  Open Secrets

domingo, 4 de abril de 2010




Domingo de Páscoa



sábado, 3 de abril de 2010

De manhã






Hans Christian Andersen, gostava de recortar papel.
Cá estão os seus papéis recortados:



sexta-feira, 2 de abril de 2010

Aniversário


 

"This book marker I need to tell Is one of H. C. Andersen's works as well."



Novo livro velho



Já o li há muito tempo, mas de tudo o que guardei deste livro,  do que me lembro sempre é da água do samovar a entrar em ebulição e do chá distribuído pela mãe.
Na verdade, o primeiro momento de inquietação, percebo agora.

Verde novo



quinta-feira, 1 de abril de 2010

Semana Santa



"Acabámos o almoço, quando um escudeiro, muito discretamente, num murmúrio, anunciou Madame d'Oriol. Jacinto pousou com tranquilidade o charuto, eu quase me engasguei, num sorvo alvoroçado de café. Entre os reposteiros de damasco cor de morango ela apareceu, toda de negro, de um negro liso e austero de Semana Santa, lançando com o regalo um lindo gesto para nos sossegar. E imediatamente, numa volubilidade docemente chalrada:

- É um momento, nem se levantem! Passei, ia para a Madalena não me contive, quis ver os estragos... Uma inundação em Paris, nos Campos Elísios! Não há senão este Jacinto. E vem no «Figaro»! O que eu estava assustada, quando telefonei! Imaginem! Água a ferver, como no Vesúvio... Mas é de uma novidade! E os estofos perdidos, naturalmente, os tapetes... estou morrendo por admirar as ruínas!
Jacinto, que não me pareceu comovido, nem agradecido com aquele interesse, retomara - risonhamente o charuto:
- Está tudo seco, minha querida senhora, tudo seco! A beleza foi ontem, quando a água fumegava e rugia! Ora que pena não ter ao menos caído uma parede!
Mas ela insistia. Nem todos os dias se gozavam em Paris os destroços de uma inundação. O «Figaro» contara... E era uma aventura deliciosa, uma casa escaldada nos Campos Elísios!

Toda a sua pessoa, desde as plumazinhas que frisavam no chapéu até à ponta reluzente das botinas de verniz, se agitava, vibrava, como um ramo tenro sob o buliço do pássaro a chalrar. Só o sorriso, por trás do véu espesso, conservava um brilho imóvel. E já no ar se espalhara um aroma, uma doçura, emanados de toda a sua mobilidade e de toda a sua graça.

Jacinto no entanto cedera, alegremente: e pelo corredor Madame d'Oriol ainda louvava o «Figaro» amável, e confessava quanto tremera... Eu voltei ao meu café, felicitando mentalmente o Príncipe da Grã-Ventura por aquela perfeita flor de Civilização que lhe perfumava a vida. Pensei então na apurada harmonia em que se movia essa flor. E corri vivamente à antecâmara, verificar diante do espelho o meu penteado e o nó da minha gravata. Depois recolhi à sala de jantar, e junto da janela, folheando languidamente a «Revista do Século XIX», tomei uma atitude de elegância e de alta cultura. Quase imediatamente eles reapareceram; e Madame d'Oriol, que, sempre sorrindo, se proclamava espoliada, nada encontrara que recordasse as águas furiosas, roçou pela mesa, onde Jacinto procurava, para lhe oferecer, tangerinas de Malta, ou castanhas geladas, ou um biscoito molhado em vinho de Tokai.
Ela recusava com as mãos guardadas no regalo. Não era alta, nem forte - mas cada prega do vestido, ou curva da capa, caía e ondulava harmoniosamente, como perfeições recobrindo perfeições. Sob o véu cerrado, apenas percebi a brancura da face empoada, e a escuridão dos olhos largos. E com aquelas sedas e veludos negros, e um pouco do cabelo louro, de um louro quente, torcido fortemente sobre as peles negras que lhe orlavam o pescoço, toda ela derramava uma sensação de macio e de fino. Eu teimosamente a considerava como uma flor de Civilização: - e pensava no secular trabalho e na cultura superior que necessitara o terreno onde ela tão delicadamente brotara, já desabrochada, em pleno perfume, mais graciosa por ser flor de esforço e de estufa, e trazendo nas suas pétalas um não sei quê de desbotado e de antemurcho.
No entanto, com a sua volubilidade de pássaro, chalrando para mim, chalrando para Jacinto, ela mostrava o seu lindo espanto por aquele montão de telegramas sobre a toalha.
- Tudo esta manhã, por causa da inundação?... Ah, Jacinto é hoje o homem, o único homem de Paris! Muitas mulheres nesses telegramas?
Languidamente, com o charuto a fumegar, o meu Príncipe empurrou para a sua amiga o telegrama do grão -duque. Então Madame d'Oriol teve um «Ah!» muito grave e muito sentido. Releu profundamente o papel de Sua Alteza que os seus dedos acariciavam com uma reverência gulosa. E sempre grave, sempre séria:
- É brilhante!
Oh, certamente!, naquele desastre tudo se passara com muito brilho, num tom muito parisiense. E a deliciosa criatura não se podia demorar, porque fizera marcar um lugar na Igreja da Madalena para o sermão!
Jacinto exclamou com inocência:
- Sermão?... É já a estação dos sermões? Madame d'Oriol teve um movimento de carinhoso escândalo e dor. O quê! pois nem na austera casa dos Trèves dera pela entrada da Quaresma? De resto não se admirava - Jacinto era um turco! E imediatamente celebrou o pregador, um frade dominicano, o Père Granon! Oh, de uma eloquência! de uma violência! No derradeiro sermão pregara sobre o amor, a fragilidade dos amores mundanos! E tivera coisas de uma inspiração, de uma brutalidade! Depois que gesto, um gesto terrível que esmagava, em que se lhe arregaçava toda a manga, mostrando o braço nu, um braço soberbo, muito branco, muito forte!
O seu sorriso permanecia claro sob o olhar que negrejava dentro do véu negro. E Jacinto, rindo:
- Um bom braço de director espiritual, hem? Para vergar, espancar almas...
Ela acudiu: - Não! Infelizmente o Père Granon não confessa!
E de repente reconsiderou - aceitava um biscoito, um cálice de Tokai. Era necessário um cordial para afrontar as emoções do Père Granon! Ambos nos precipitáramos, um arrebatando a garrafa, outro oferecendo o prato de bombons. Franziu o véu para os olhos, chupou à pressa um bolo que ensopara no Tokai. E como Jacinto, reparando casualmente no chapéu que ela trazia, se curvara com curiosidade, impressionado, Madame d'Oriol apagou o sorriso, toda séria, ante uma coisa séria:
- Elegante, não é verdade?... É uma criação inteiramente nova de Madame Vial. Muito respeitoso, e muito sugestivo, agora na Quaresma.

O seu olhar, que me envolvera, também me convidava a admirar. Aproximei, o meu focinho de homem das serras para contemplar essa criação suprema do luxo de Quaresma. E era maravilhoso! Sobre o veludo, na sombra das plumas frisadas, aninhada entre rendas, fixada por um prego, pousava delicadamente, feita de azeviche, uma Coroa de Espinhos!
Ambos nos extasiámos. E Madame d'Oriol, num movimento e num sorriso que derramou mais aroma e mais claridade, abalou para a Madalena."

A cidade e as serras, Eça de Queirós.

Por falar em Porto

Mais um LIVRO:

Vale a pena ver. Ver o cuidado que cada um punha na escolha da arquitectura das mais diferentes lojas. E ver como tudo mudou. (Para pior, valham-nos os deuses… e os livros que guardam a memória.)


Andei por lá outro dia.


As andorinhas já tinham chegado:



E, na rua, as lojas lá estão.

O PORTO


Escolhi alguns exemplares:



Este, porque é onde aparece a primeira referência a mulheres.
Poetisas, claro. Maria da Felicidade Browne, Viscondessa de Balsemão, Ana Amália de Sá e Maria Peregrina de Sousa.

Este, porque não podia deixar de ser:



E este, por razões óbvias:



Direito, leis e outras coisas que teis


Temas jurídicos sugeridos pelo Luís Gouveia Fernandes, quem sabe para nos recordar alguma coisa:



O índice

Portugal, ainda não constava.

(clicando, aumenta)

 Mas é natural a ausência, naqueles tempos as mulheres andavam mal vistas:


Cartaz trazido daqui: Spy Museum

Um Museu

Também gostava de lá ir espreitar


Mas podemos espreitar por aqui: A ervilha cor de rosa


Um Fotógrafo


A dificuldade, neste livro, é escolher as fotografias, porque elas falam, falam, falam.














Uma novela rústica


Com um detalhe:


Rússia

Em Paris,