Ergue-se aérea pedra a pedra
a casa que só tenho no poema.
A casa dorme, sonha no vento
a delícia súbita de ser mastro.
Como estremece um torso delicado,
assim a casa, assim um barco.
Uma gaivota passa e outra e outra,
a casa não resiste: também voa.
Ah, um dia a casa será bosque,
à sua sombra encontrarei a fonte
onde um rumor de água é só silêncio.
Eugénio de Andrade
Mostrar mensagens com a etiqueta Eugénio de Andrade; Metamorfoses da casa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eugénio de Andrade; Metamorfoses da casa. Mostrar todas as mensagens
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)