sábado, 14 de agosto de 2010

Um arquivo especial

Num sítio especial, para quem gosta de correspondências, guerras, papéis velhos, aqui:  Harvard Law collection


Vale a pena ler a carta, clicando na imagem.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010


A força do fogo, que a nós aqui nos entra apenas pela televisão, fez-me pensar nesta colecção de livros de onde tirei a fotografia do Guarda Florestal, que por óbvias razões merece o primeiro lugar no Boião desta semana:


Aqui ainda posso ver a nossa floresta tal como ela foi, com toda a vida que dentro dela e à sua volta gira, numa espécie de fuga destes dias ardentes, não para trás nem para a frente, mas para dentro.

Girl at the window, Eastman Jonhson 
(...)


And many a man in his own breast then delves,
But deep enough, alas! none ever mines.
And we have been on many thousand lines,
And we have shown, on each, spirit and power;
But hardly have we, for one little hour,
Been on our own line, have we been ourselves—
Hardly had skill to utter one of all
The nameless feelings that course through our breast,
But they course on for ever unexpress’d.
And long we try in vain to speak and act
Our hidden self, and what we say and do
Is eloquent, is well—but ’t is not true!
And then we will no more be rack’d
With inward striving, and demand
Of all the thousand nothings of the hour
Their stupefying power;
Ah yes, and they benumb us at our call!
Yet still, from time to time, vague and forlorn,
From the soul’s subterranean depth upborne
As from an infinitely distant land,
Come airs, and floating echoes, and convey
A melancholy into all our day.


Only —but this is rare—
When a beloved hand is laid in ours,
When, jaded with the rush and glare
Of the interminable hours,
Our eyes can in another’s eyes read clear,
When our world-deafen’d ear
Is by the tones of a lov’d voice caress’d—
A bolt is shot back somewhere in our breast,
And a lost pulse of feeling stirs again.
The eye sinks inward, and the heart lies plain,
And what we mean, we say, and what we would, we know.
A man becomes aware of his life’s flow,
And hears its winding murmur, and he sees
The meadows where it glides, the sun, the breeze.

(...)


Matthew Arnold, The Buried Life

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Rapazes


Five boys on a wall, Eastman Jonhson

Estado do tempo

Grandes Vacas Brancas deslocam-se velozmente para Sul.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

De manhã

Toilette, Toulouse-Lautrec

Mañanita de Sol


 

terça-feira, 10 de agosto de 2010

À sombra

Bien Frappé

Por falar em cigarras e a pensar no calor:



No caminho que escolho para o escritório ouvem-se milhares de cigarras, num alvoroço só comparável, em intensidade, à lassidão que o calor provoca nos humanos. Gosto deste barulho. E penso que Esopo se enganou, elas não morrem de fome no Inverno. Se calhar até se uniram ás formigas para sobreviver e continuarem a alegrar os nossos Verões. Também seria um fim moralista para a história e mais ao sabor dos nossos tempos.

Verão

Wallace Stevens

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Tempo do milho, lá no campo

Man in a cornfield, Eastman Jonhson

Interminable being

"Perhaps the most dispriting consequence of my present disease - more depressing even than its practical, daily manifestations - is the awareness that I shall never again ride the rails. This knowledge weighs on me like a leaden blanket, pressing me ever deeper that marks the truly terminal disease: the understanding that some things will never be. This absence is more than just the loss of a pleasure, the deprivation of freedom, much less the exclusion of new experiences. Remembering Rilke, it constitutes the very loss of myself - or at least, that better part of myself that most readily found contentement and peace. No more Waterloo, no more rural country halts, no more solitude: no more becoming; just interminable being.

Tony Judt no New York Review of Books de Março deste ano, agora que o "interminable being" acabou.

Noite

domingo, 8 de agosto de 2010

No Parque

sábado, 7 de agosto de 2010


El reloj de arena

Está bien que se mida con la dura
Sombra que una columna en el estío
arroja o con el agua de aquel río
En que Heráclito vio nuestra locura

El tiempo, ya que al tiempo y al destino
Se parecen los dos: la imponderable
Sombra diurna y el curso irrevocable
Del agua que prosigue su camino.

Está bien, pero el tiempo en los desiertos
Otra substancia halló, suave y pesada,
Que parece haber sido imaginada
Para medir el tiempo de los muertos.

Surge así el alegórico instrumento
De los grabados de los diccionarios,
La pieza que los grises anticuarios
Relegarán al mundo ceniciento

Del alfil desparejo, de la espada
Inerme, del borroso telescopio,
Del sándalo mordido por el opio
Del polvo, del azar y de la nada.

¿Quién no se ha demorado ante el severo
Y tétrico instrumento que acompaña
En la diestra del dios a la guadaña
Y cuyas líneas repitió Durero?

Por el ápice abierto el cono inverso
Deja caer la cautelosa arena,
Oro gradual que se desprende y llena
El cóncavo cristal de su universo.

Hay un agrado en observar la arcana
Arena que resbala y que declina
Y, a punto de caer, se arremolina
Con una prisa que es del todo humana.

La arena de los ciclos es la misma
E infinita es la historia de la arena;
Así, bajo tus dichas o tu pena,
La invulnerable eternidad se abisma.

No se detiene nunca la caída
Yo me desangro, no el cristal. El rito
De decantar la arena es infinito
Y con la arena se nos va la vida.

En los minutos de la arena creo
Sentir el tiempo cósmico: la historia
Que encierra en sus espejos la memoria
O que ha disuelto el mágico Leteo.

El pilar de humo y el pilar de fuego,
Cartago y Roma y su apretada guerra,
Simón Mago, los siete pies de tierra
Que el rey sajón ofrece al rey noruego,

Todo lo arrastra y pierde este incansable
Hilo sutil de arena numerosa.
No he de salvarme yo, fortuita cosa
De tiempo, que es materia deleznable.

Jorge Luís Borges

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Modernices

Se me virem passar com tatuagens, não se admire. Ofereceram-me isto:



Fotografia em Serralves


Grazia Toderi


O texto que está no site faz-me lembrar os da Culturgest. Aqui vai um pouco:

“O trabalho da artista convida-nos para um território onde a estranheza transgride a condição da representação. É a partir dessa transgressão da representação que o reconhecimento se descobre como uma outra forma de revisitar realidades que pensávamos conhecer, mas que nos surgem transfiguradas por uma espécie de princípio do espelho de Alice: vemos o que identificamos, mas não o vemos da mesma maneira que esperaríamos ver. A imagem que vemos corresponde sempre a algo identificável, mas será nessa sua identificabilidade que reside um princípio de metamorfose dos nossos pressupostos de reconhecimento do mundo.”

Música

É tempo de


O programa todo aqui.

E por falar em joco-sério, mais um livro raptado a um caixote num gabinete da minha vizinhança:

Deixo-vos aqui um pedaço esperando que vos dê tanto gosto como me dá a mim lê-lo. Pergunto-me muitas vezes o que leva as pessoas a lerem (e escreverem) as quantidades infindáveis de tralha que se passeia pelos escaparates das livrarias, supermercados e bombas de gasolina, quando existem coisas como esta, que podem até ser romances mais ou menos leves ou “simplesmente” irónicos, mas onde a critica e a análise dos costumes e da natureza humana estão sempre presentes e a escrita é absolutamente notável. Além de que, felizmente, escapou a acordos ortográficos essa novidade que serve de desculpa aos analfabetos para os erros de ortografia.



ÓPERA JOCO-SÉRIA

Nas férias, passou-me esta pela frente e bem me diverti!


Outro Livro


As cartas são estas:


Um Livro

Presente muito gentil da Melanie antes de partir de férias.


Escolhi uma espécie de charada:



O resto, só-lendo.





Advogados, leis e outras coisas que teis.


Mais um caso de tremer:


E um livro de um velho advogado:


O autor:


E um pequeníssimo excerto:


E aqui fala-se de outra coisa “very valuable in our system”:



È um tema muito actual, ao contrário do que à primeira vista parece. Henry Fonda aqui confronta-nos com a natureza humana, beyond a reasonable doubt.

Ora vejam um bocadinho:


Uma boa ideia



Pouco aconselhável a espíritos mais impressionáveis, a gente dada a pesadelos ou a pessoas muito sonhadoras. Com um estilo de efeitos especiais que a mim me agrada muito mais do que os 3D do Avatar, porque são mais, muito mais, do que imagens.



Um bocadinho aqui:

Estudos Clássicos

Para além da actualidade do tema, também algumas referências à antiguidade (o que torna o tema, de certo modo, “clássico”) numa das mais divertidas séries de todos os tempos:




Encontrei-o num local algo inesperado (ou nem tanto): A Origem da Comédia.

Ir a águas


O programa é assim:

Apanhamos o elevador,


espreitamos pela varanda,


sentamo-nos a apreciar a luz,


podemos jogar cartas ou dominó,


olhamos para o espelho para ver se estamos bem,


e vamos à Fonte dos Olhos,

E depois vamos ver, believe it or not, os efeitos das águas sobre o pobre corpo humano.



… vamos andar de gaivota. Incógnitos, já se sabe.


Procuramos uma sombra,


e levamos lembranças.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Portrait of my Father as a Young Man

In the eyes: dream. The brow as if it could feel
something far off. Around the lips, a great
freshness--seductive, though there is no smile.
Under the rows of ornamental braid
on the slim Imperial officer's uniform:
the saber's basket-hilt. Both hands stay
folded upon it, going nowhere, calm
and now almost invisible, as if they
were the first to grasp the distance and dissolve.
And all the rest so curtained within itself,
so cloudy, that I cannot understand
this figure as it fades into the background--.

Oh quickly disappearing photograph
in my more slowly disappearing hand.
 
Rainer Maria Rilke

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Natureza morta

EL SUEÑO

Si el sueño fuera (como dicen) una
tregua, un puro reposo de la mente,
¿por qué, si te despiertan bruscamente,
sientes que te han robado una fortuna?


¿Por qué es tan triste madrugar? La hora
nos despoja de un don inconcebible,
tan íntimo que sólo es traducible
en un sopor que la vigilia dora


de sueños, que bien pueden ser reflejos
truncos de los tesoros de la sombra,
de un orbe intemporal que no se nombra


y que el día deforma en sus espejos.
¿Quién serás esta noche en el oscuro
sueño, del otro lado de su muro?


Jorge Luis Borges

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Natureza morta

domingo, 1 de agosto de 2010

my scolding companion
if only you were here-
this moon tonight

Issa Kobayashi

Para trás

El reloj de arena

Está bien que se mida con la dura
Sombra que una columna en el estío

Arroja o con el agua de aquel río

En que Heráclito vio nuestra locura


El tiempo, ya que al tiempo y al destino
Se parecen los dos: la imponderable

Sombra diurna y el curso irrevocable

Del agua que prosigue su camino.

Está bien, pero el tiempo en los desiertos
Otra substancia halló, suave y pesada,

Que parece haber sido imaginada

Para medir el tiempo de los muertos.


Surge así el alegórico instrumento
De los grabados de los diccionarios,
La pieza que los grises anticuarios
Relegarán al mundo ceniciento

Del alfil desparejo, de la espada
Inerme, del borroso telescopio,

Del sándalo mordido por el opio

Del polvo, del azar y de la nada.



¿Quién no se ha demorado ante el severo
Y tétrico instrumento que acompaña

En la diestra del dios a la guadaña

Y cuyas líneas repitió Durero?


Por el ápice abierto el cono inverso
Deja caer la cautelosa arena,

Oro gradual que se desprende y llena
El cóncavo cristal de su universo.


Hay un agrado en observar la arcana
Arena que resbala y que declina

Y, a punto de caer, se arremolina

Con una prisa que es del todo humana.


La arena de los ciclos es la misma
E infinita es la historia de la arena;

Así, bajo tus dichas o tu pena,

La invulnerable eternidad se abisma.


No se detiene nunca la caída
Yo me desangro, no el cristal. El rito
De decantar la arena es infinito

Y con la arena se nos va la vida.


En los minutos de la arena creo
Sentir el tiempo cósmico: la historia
Que encierra en sus espejos la memoria

O que ha disuelto el mágico Leteo.

El pilar de humo y el pilar de fuego,
Cartago y Roma y su apretada guerra,

Simón Mago, los siete pies de tierra
Que el rey sajón ofrece al rey noruego,

Todo lo arrastra y pierde este incansable
Hilo sutil de arena numerosa.
No he de salvarme yo, fortuita cosa
De tiempo, que es materia deleznable.

Jorge Luís Borges