Num sítio especial, para quem gosta de correspondências, guerras, papéis velhos, aqui: Harvard Law collection
Vale a pena ler a carta, clicando na imagem.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
A força do fogo, que a nós aqui nos entra apenas pela televisão, fez-me pensar nesta colecção de livros de onde tirei a fotografia do Guarda Florestal, que por óbvias razões merece o primeiro lugar no Boião desta semana:
Aqui ainda posso ver a nossa floresta tal como ela foi, com toda a vida que dentro dela e à sua volta gira, numa espécie de fuga destes dias ardentes, não para trás nem para a frente, mas para dentro.
Girl at the window, Eastman Jonhson
(...)
And many a man in his own breast then delves, But deep enough, alas! none ever mines. And we have been on many thousand lines, And we have shown, on each, spirit and power; But hardly have we, for one little hour, Been on our own line, have we been ourselves— Hardly had skill to utter one of all The nameless feelings that course through our breast, But they course on for ever unexpress’d. And long we try in vain to speak and act Our hidden self, and what we say and do Is eloquent, is well—but ’t is not true! And then we will no more be rack’d With inward striving, and demand Of all the thousand nothings of the hour Their stupefying power; Ah yes, and they benumb us at our call! Yet still, from time to time, vague and forlorn, From the soul’s subterranean depth upborne As from an infinitely distant land, Come airs, and floating echoes, and convey A melancholy into all our day.
Only —but this is rare— When a beloved hand is laid in ours, When, jaded with the rush and glare Of the interminable hours, Our eyes can in another’s eyes read clear, When our world-deafen’d ear Is by the tones of a lov’d voice caress’d— A bolt is shot back somewhere in our breast, And a lost pulse of feeling stirs again. The eye sinks inward, and the heart lies plain, And what we mean, we say, and what we would, we know. A man becomes aware of his life’s flow, And hears its winding murmur, and he sees The meadows where it glides, the sun, the breeze.
No caminho que escolho para o escritório ouvem-se milhares de cigarras, num alvoroço só comparável, em intensidade, à lassidão que o calor provoca nos humanos. Gosto deste barulho. E penso que Esopo se enganou, elas não morrem de fome no Inverno. Se calhar até se uniram ás formigas para sobreviver e continuarem a alegrar os nossos Verões. Também seria um fim moralista para a história e mais ao sabor dos nossos tempos.
"Perhaps the most dispriting consequence of my present disease - more depressing even than its practical, daily manifestations - is the awareness that I shall never again ride the rails. This knowledge weighs on me like a leaden blanket, pressing me ever deeper that marks the truly terminal disease: the understanding that some things will never be. This absence is more than just the loss of a pleasure, the deprivation of freedom, much less the exclusion of new experiences. Remembering Rilke, it constitutes the very loss of myself - or at least, that better part of myself that most readily found contentement and peace. No more Waterloo, no more rural country halts, no more solitude: no more becoming; just interminable being.
Tony Judt no New York Review of Books de Março deste ano, agora que o "interminable being" acabou.
Está bien que se mida con la dura Sombra que una columna en el estío arroja o con el agua de aquel río En que Heráclito vio nuestra locura
El tiempo, ya que al tiempo y al destino Se parecen los dos: la imponderable Sombra diurna y el curso irrevocable Del agua que prosigue su camino.
Está bien, pero el tiempo en los desiertos Otra substancia halló, suave y pesada, Que parece haber sido imaginada Para medir el tiempo de los muertos.
Surge así el alegórico instrumento De los grabados de los diccionarios, La pieza que los grises anticuarios Relegarán al mundo ceniciento
Del alfil desparejo, de la espada Inerme, del borroso telescopio, Del sándalo mordido por el opio Del polvo, del azar y de la nada.
¿Quién no se ha demorado ante el severo Y tétrico instrumento que acompaña En la diestra del dios a la guadaña Y cuyas líneas repitió Durero?
Por el ápice abierto el cono inverso Deja caer la cautelosa arena, Oro gradual que se desprende y llena El cóncavo cristal de su universo.
Hay un agrado en observar la arcana Arena que resbala y que declina Y, a punto de caer, se arremolina Con una prisa que es del todo humana.
La arena de los ciclos es la misma E infinita es la historia de la arena; Así, bajo tus dichas o tu pena, La invulnerable eternidad se abisma.
No se detiene nunca la caída Yo me desangro, no el cristal. El rito De decantar la arena es infinito Y con la arena se nos va la vida.
En los minutos de la arena creo Sentir el tiempo cósmico: la historia Que encierra en sus espejos la memoria O que ha disuelto el mágico Leteo.
El pilar de humo y el pilar de fuego, Cartago y Roma y su apretada guerra, Simón Mago, los siete pies de tierra Que el rey sajón ofrece al rey noruego,
Todo lo arrastra y pierde este incansable Hilo sutil de arena numerosa. No he de salvarme yo, fortuita cosa De tiempo, que es materia deleznable.
O texto que está no site faz-me lembrar os da Culturgest. Aqui vai um pouco:
“O trabalho da artista convida-nos para um território onde a estranheza transgride a condição da representação. É a partir dessa transgressão da representação que o reconhecimento se descobre como uma outra forma de revisitar realidades que pensávamos conhecer, mas que nos surgem transfiguradas por uma espécie de princípio do espelho de Alice: vemos o que identificamos, mas não o vemos da mesma maneira que esperaríamos ver. A imagem que vemos corresponde sempre a algo identificável, mas será nessa sua identificabilidade que reside um princípio de metamorfose dos nossos pressupostos de reconhecimento do mundo.”
E por falar em joco-sério, mais um livro raptado a um caixote num gabinete da minha vizinhança:
Deixo-vos aqui um pedaço esperando que vos dê tanto gosto como me dá a mim lê-lo. Pergunto-me muitas vezes o que leva as pessoas a lerem (e escreverem) as quantidades infindáveis de tralha que se passeia pelos escaparates das livrarias, supermercados e bombas de gasolina, quando existem coisas como esta, que podem até ser romances mais ou menos leves ou “simplesmente” irónicos, mas onde a critica e a análise dos costumes e da natureza humana estão sempre presentes e a escrita é absolutamente notável. Além de que, felizmente, escapou a acordos ortográficos essa novidade que serve de desculpa aos analfabetos para os erros de ortografia.
Pouco aconselhável a espíritos mais impressionáveis, a gente dada a pesadelos ou a pessoas muito sonhadoras. Com um estilo de efeitos especiais que a mim me agrada muito mais do que os 3D do Avatar, porque são mais, muito mais, do que imagens.
Para além da actualidade do tema, também algumas referências à antiguidade (o que torna o tema, de certo modo, “clássico”) numa das mais divertidas séries de todos os tempos:
In the eyes: dream. The brow as if it could feel something far off. Around the lips, a great freshness--seductive, though there is no smile. Under the rows of ornamental braid on the slim Imperial officer's uniform: the saber's basket-hilt. Both hands stay folded upon it, going nowhere, calm and now almost invisible, as if they were the first to grasp the distance and dissolve. And all the rest so curtained within itself, so cloudy, that I cannot understand this figure as it fades into the background--.
Oh quickly disappearing photograph in my more slowly disappearing hand.